10. CULTURA 24.4.13

1. CINEMA - "HOMEM DE FERRO" PARA CHINS VER
2. LIVROS - "O BRASIL" DE MINO
3. A TRAIO CONSENTIDA DE SIMONE
4. EM CARTAZ  AGENDA - DAVID LYNCH/DEFIANCE/PRAZER
5. EM CARTAZ  MSICA - ROCK COM PIMENTA
6. EM CARTAZ  DVD - VIDA DE CACHORRO
7. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - O MELHOR DE UMA COLEO
8. EM CARTAZ  LIVROS - NA NATUREZA SELVAGEM
9. EM CARTAZ  CINEMA - QUANDO A MSICA  UM FILME
10. ARTES VISUAIS - PINTURA REENCENADA

1. CINEMA - "HOMEM DE FERRO" PARA CHINS VER
Edio especial do filme para a China inaugura a era das verses customizadas, produzidas ao gosto das plateias
Ivan Claudio

A trilogia Homem de Ferro  um dos trabalhos que ajudaram a reerguer a carreira de Robert Downey Junior. O ator ficou longe das grandes produes devido a problemas com drogas. Conhea outros filmes que fizeram o astro renascer:
 
Garantia de bilheterias explosivas, a nova aventura da franquia Homem de Ferro, que nas vezes anteriores faturou US$ 1,2 bilho, chega aos cinemas na sexta-feira 26  e vem com marketing certeiro para aumentar ainda mais os lucros da Marvel, detentora dos direitos do heri vestido com armaduras high tech. A ocupao das salas ser massiva. Menos na China. No que o gigante asitico tenha impedido o blockbuster de estrear em seus multiplexes. Numa estratgia indita da Disney, dona atual do acervo da Marvel, a superproduo s ser conhecida naquele pas depois de ser exibida no resto do mundo. E com uma grande diferena: ter mais que os 130 minutos previstos, com cenas adicionais passadas em Pequim e participao de uma srie de estrelas locais. Essa espcie de verso customizada, anunciada na semana passada e feita sob medida para o gosto dos espectadores chineses, abre uma nova era de divulgao de filmes em mercados especiais.

QUEDA LIVRE - Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) aps um ataque terrorista: amigo em Pequim

Outros estdios entraram no negcio, como a Paramount: ela informou que o filme Guerra Mundial Z ser alterado para no ter problemas com a censura chinesa. O incio da fico cientfica protagonizada por Brad Pitt foi mudado a toque de caixa porque a epidemia de zumbis de que trata o enredo tinha como foco de origem as regies vizinhas da Grande Muralha  o mais provvel novo bero da pandemia de mortos-vivos ser a Rssia.
 
Uma das mais caras coprodues sino-americanas, com oramento de US$ 200 milhes, Homem de Ferro 3 comeou a ser preparado com tempero agridoce em maio do ano passado. A primeira pitada de acar se deu no enredo: aps sofrer um ataque em sua maravilhosa manso em Malibu, na Califrnia, o milionrio Tony Stark vai para onde? Para a China, claro, encontrar o amigo Dr. Wu, vivido por Xueqi Wang, uma espcie de Tom Cruise local. A mulher do personagem  interpretada por outra estrela, Bingbing Fan, j escalada para o novo ttulo da saga X-Men, previsto para 2014. A utilizao de astros de olhos puxados deveria ter se estendido ao vilo da histria, Mandarim. Ele comanda uma rede terrorista chamada Dez Anis e, no quadrinho original, tem ares imperiais. Mas ator chins no papel de bandido nem pensar. O toque cido da receita foi dar uma ascendncia misteriosa ao criminoso, cuja nica relao com a cultura oriental se limitou ao gosto pelas lutas marciais e dinastias milenares. Para no deixar qualquer dvida, o papel ficou nas mos de Ben Kingsley, ingls de origem indiana.

Ajustes em filmes americanos, feitos com a inteno de passar pelo aval do governo chins, so comuns desde que o pas abriu seu mercado para a produo estrangeira. Mas antes isso acontecia por imposio. Entre os blockbusters que tiveram cenas cortadas esto Titanic 3D (a nudez de Kate Winslet) e MIB  Homens de Preto 3 (ETs orientais drogados).Agora, as alteraes esto sendo antecipadas e visam a agradar ao mximo. Essa  uma mudana e tanto. S falta Hollywood vestir Angelina Jolie de burca para ganhar o pblico dos pases rabes. 


2. LIVROS - "O BRASIL" DE MINO
Em livro de memrias, o jornalista Mino Carta combina fico e realidade para abordar o perodo da ditadura no Pas e leva o leitor a passear pela So Paulo de 40 anos atrs 
Antonio Carlos Prado 

Personalidades da poltica brasileira que conviveram com o jornalista e escritor Mino Carta  poca da ditadura militar acostumaram-se a ouvi-lo dizer: Ainda vou escrever um livro chamado O Brasil. Repetia a frase  medida que no Pas se repetiam tambm fatos relevantes a apontar a desigualdade social e os desmandos do regime. Tambm as redaes habituaram-se a essa fala. Pois bem, O Brasil de Mino Carta (editora Record) acaba de desembarcar nas livrarias. Trata-se, na verdade, de dois livros em um  charada proposta ao gosto e estilo machadiano: O Brasil guarda uma obra factual e outra de fico, mas h muitas franjas de realidade naquela que se apresenta ficcional. Da se desenvolve o enredo, uma tecida com a outra, enquanto o memorialista alerta o leitor sobre a inevitabilidade de obedecer cegamente ao curso da memria. Cegamente? Como se disse, h no livro o sopro da ironia de Machado de Assis.

REPRESSO - Brasil, 1968: Mino Carta (abaixo) cobriu o vaivm do regime militar at a redemocratizao, 17 anos depois
 
Mino Carta cobriu como jornalista diversos momentos da ditadura, sempre posicionando-se contra ela  ditadura, alis, que em O Brasil ele opta por qualificar no de militar, mas de um estamento. Fica claro em seu livro que essa  uma de suas concordncias com o jurista e socilogo Raymundo Faoro, autor dos clssicos Os Donos do Poder (apresenta a metodologia de Max Weber ao Pas) e A Pirmide e o Trapzio (leitura weberiana de Machado). Como profissional, Mino foi um dos interlocutores do general Golbery do Couto e Silva  arquiteto do golpe de 1964 e posteriormente mago ou bruxo de sua distenso lenta, gradual e segura  e acompanhou o vaivm da redemocratizao: o assassnio do jornalista Vladimir Herzog pela represso, a tumultuada sucesso no Planalto do general Ernesto Geisel pelo general Joo Figueiredo, os atentados  OAB e ao Rio Centro, as primeiras greves lideradas pelo ento sindicalista e hoje ex-presidente da Repblica Luiz Incio Lula da Silva.
 
Golbery  bem tratado no livro. Outras figuras da ditadura so retratadas com dureza. Para Mino, o general Hugo possua feies simiescas que se adaptavam  perfeio ao resto da figura e ao seu andar, de pernas curtas e extraordinariamente tortas; o ex-ministro Armando Falco era dono de um olhar traduzido por rbitas abissais e l no fundo se instalam dois ovos fritos. Fora da quadra poltica, O Brasil do memorialista passeia na So Paulo de quatro dcadas atrs, dos bairros operrios da Mooca e do Brs ao circuito dos notvagos na regio central onde pontuavam o restaurante Gigetto e as boates Tonton Macoute e Scarabocchio. No h saudosismo no autor, existe sim a crtica, e uma ponta de melancolia, pelo fato de a cidade ter crescido desordenadamente. Da poltica nacional  geografia paulistana, O Brasil  sobretudo um livro de olhar sociolgico. E dessa sociologia vem a definio de Mino Carta: Conveno-me de que, de todas as desgraas que se abateram sobre o Brasil, a mais grave e decisiva so trs sculos e meio de escravido (...).


3. A TRAIO CONSENTIDA DE SIMONE
Biografia romanceada narra a paixo da filsofa Simone de Beauvoir por um escritor americano, sob total aprovao do marido, Jean-Paul Sartre. ela queria apenas ser amada e submissa 
Aina Pinto 

Uma mulher pedante, preocupada com esmaltes e batons, apavorada com o envelhecimento e ciumenta a ponto de no suportar a simples meno do nome da amante de seu marido  assim  pintada a musa do existencialismo, a francesa Simone de Beauvoir (1908-1986), na biografia romanceada Beauvoir Apaixonada (Verus), de autoria da jornalista e historiadora Irne Frain. O retrato surpreende porque publicamente Simone sempre se mostrou uma feminista e escreveu uma das bblias do feminismo, O Segundo Sexo. O livro traz ainda mais veneno para macular o mito. A relao amorosa que ela manteve com o filsofo Jean-Paul Sartre (1905-1980), sempre apresentada como revolucionria, na prtica no era exatamente assim. Em tese era permitido que um trasse o outro, na boa, desde que as traies fossem reveladas mutuamente. Mas pelo menos um desses casos, a relao que Simone manteve por 17 anos com o escritor americano Nelson Algren, foi explosivo como conta o livro.

INTIMIDADE - Simone de Beauvoir numa foto de Art Shay: ciumenta e vaidosa

Simone conheceu Algren  e caiu de paixo. Algren era autor de O Homem do Brao de Ferro, que virou filme de sucesso com Frank Sinatra. Escreveu tambm Um Passeio pelo Lado Selvagem, que inspirou Lou Reed e fez com que se tornasse dolo de Barack Obama. Na mesma poca que Simone o conheceu, Sartre estava apaixonado tambm por uma americana, a radialista Dolores Vanetti. Simone a odiava e numa crise de histeria a apelidou de Maldita. Nas cartas da filsofa para Algren, Dolores  tratada apenas pela inicial, M. Foi essa correspondncia que Irne utilizou como fonte, alm de anotaes pessoais e documentos inditos. Ela teve acesso a trechos cortados das cartas, publicadas em 1997, que revelam pela primeira vez o lado ftil da filsofa e sua preocupao com a aparncia, alm do teor do romance que estava experimentando. Como no se conhece a correspondncia de Algren, a autora preenche a lacuna com a fico  tudo mais  real e factual. O primeiro contato entre Simone e Algren se deu em Chicago, em fevereiro de 1947, durante uma turn de conferncias. Ela viajava s e estava irritada com a dedicao de Sartre a Dolores. Nessa altura o par existencialista j mantinha o que chamava de casamento intelectual: Simone e Sartre eram companheiros e no faziam sexo havia oito anos. Ambos mentiam ao mundo pregando que  possvel ser trado sem brigas e dios. Na verdade, Simone via Dolores como uma ameaa: a radialista estava se tornando o amor essencial, enquanto ela passava aos poucos  condio de amor contingente  a classificao foi uma inveno do casal, nada que a MPB j no tenha traduzido como matriz e filial.

O AMANTE - Nelson Algren, dolo de Barack Obama, tinha fama de sedutor e era frequentador do submundo de Chicago

Esse clima tempestuoso foi revelado  autora por outra fonte indita: uma caderneta de notas escritas em conjunto por Simone e Algren em suas viagens. Das outras amantes, Simone dizia no ter medo ou ressentimentos, mas de Dolores tinha raiva. Simone havia decidido realizar, ela mesma, um projeto antigo de Sartre  escrever um livro tratando do lado apodrecido do capitalismo. Para isso, precisava de um guia que lhe apresentasse o avesso da Amrica. Escolheu Chicago, cidade smbolo da industrializao americana, e como parceiro de pesquisa elegeu Algren, um anfitrio que conhecia cada espelunca da regio. Na mesma noite em que foram apresentados, ele a levou para casas de strip-tease e bares imundos, frequentados por imigrantes e veteranos da Segunda Guerra Mundial. O prprio escritor lutara na libertao de Paris. Vivia em um bairro polons e circulava entre prostitutas e drogados que inspiravam seus livros.

RELAO ABERTA - Simone (acima) vivia uma unio intelectual com Sartre (abaixo): eles no compartilhavam o sexo, tinham amantes, no escondiam um do outro as aventuras amorosas, mas morriam de cimes

Com fama de sedutor, Algren no tinha noo de quem era Simone, conhecida pelos ntimos como Castor. Ele detestava a exibio erudita das revistas literrias, mas o lado intelectual da francesa no o incomodou  mesmo porque os dois mal podiam se entender, j que ela ouvia com dificuldade o ingls e ele no a compreendia, por causa do forte sotaque francs. O romance registra detalhes nada elegantes, como a ausncia de um banheiro na casa do amante. A mistura de aventura, charme decadente e admirao por outra cultura  Simone logo reconheceu em Algren um escritor de fibra  transformou a parisiense j balzaquiana em uma adolescente apaixonada. Dizia, sem pudores feministas, que queria ser apenas uma mulherzinha  como Sartre se referia s mulheres submissas. Viram-se, espaadamente, durante trs anos, e no auge do romance Algren a pediu em casamento, instituio burguesa que ela detestava. Simone preferiu a assexualidade do relacionamento com Sartre, com quem viveu at a morte dele, em 1980. Seis anos depois ela faleceu e foi enterrada na mesma sepultura no cemitrio de Montparnasse, em Paris. No dedo mdio da mo esquerda, usava um grande anel de prata com motivos tribais, presente de Algren. Agonizante, pediu para ser sepultada com ele.


4. EM CARTAZ  AGENDA - DAVID LYNCH/DEFIANCE/PRAZER
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio e Aina Pinto

David Lynch
 (Caixa Cultural, So Paulo, at 28/5)
 Alm dos principais filmes do diretor americano, sero exibidos videoclipes e obras feitas para a tev
 
DEFIANCE
(Canal SyFy, tera-feira, 21hs)
 Srie de fico cientfica sobre a vida na Terra aps uma guerra entre humanos e aliengenas. Grant Bowler e Stephanie Leonidas so os protagonistas
 
PRAZER
 (CCBB, Rio de Janeiro, at 2/5)
 Inspirado na obra de Clarice Lispector, o espetculo da Cia. Luna Lunera trata das inquietaes de quatro amigos


5. EM CARTAZ  MSICA - ROCK COM PIMENTA 
por Ivan Claudio e Aina Pinto

Um certo preconceito, misturado ao provincianismo, tem provocado a rejeio no Brasil da tima msica pop cantada em espanhol. Vem do Mxico, por exemplo, o rock inventivo e consistente do Caf Tacvba, que lana El Objeto Antes Llamando Disco, produzido pelo argentino Gustavo Santaolalla, do Bajofondo. Sob toques psicodlicos, guitarras afiadas e programaes eletrnicas, a banda entrega um lbum coeso com boas canes como Yo Busco, que poderia ser assinada pelo melhor grupo de britpop. Em Olita del Altamar, os mexicanos cruzam o folclore com o som contemporneo mostrando que no existe contradio entre a cultura local e o pop globalizado.


6. EM CARTAZ  DVD - VIDA DE CACHORRO
por Ivan Claudio e Aina Pinto

Contemporneo de Pedro Almodvar, o cineasta espanhol Bigas Luna, de Ovos de Ouro e As Idades de Lulu, no teve o mesmo sucesso comercial do seu conterrneo. E por uma razo muito simples: o estilo  bem mais pesado e provocador. Prova disso  Caninos, um de seus primeiros trabalhos, que permanecia indito no Brasil. Os protagonistas so dois irmos obcecados por ces, que vivem em uma manso decadente,  espera da herana. Comum no perodo ps-franquista, a histria  feita sob medida para chocar.


7. EM CARTAZ  FOTOGRAFIA - O MELHOR DE UMA COLEO
por Ivan Claudio e Aina Pinto

A exposio Coleo Ita de Fotografia Brasileira (Instituto Tomie Ohtake, So Paulo, at 19/5) promove um inteligente recorte nesse acervo, mostrando por meio de 94 obras como a produo modernista e contempornea trabalha a identidade e a paisagem urbanas. Tendo como eixo o carter experimental, foram selecionados nomes fundadores como Thomas Farkas e Geraldo de Barros, cuja ressonncia chega s obras de Mario Cravo Neto e Cris Bierrenbach.


8. EM CARTAZ  LIVROS - NA NATUREZA SELVAGEM
por Ivan Claudio e Aina Pinto
Em Floresta Noturna (Algafuara), o escritor americano Charles Frazier revisita o mesmo cenrio de Montanha Gelada, transformado em filme com Nicole Kidman. Agora, uma mulher v a violncia chegar ao seu buclico endereo nos Montes Apalaches em decorrncia da fome e da brutalidade causadas pela Guerra Civil americana. Branca e loira, ela  to vtima quanto os escravos.


9. EM CARTAZ  CINEMA - QUANDO A MSICA  UM FILME
por Ivan Claudio e Aina Pinto
O cineasta Karim Anouz gosta de msica e usou uma das grandes composies da MPB para criar o seu novo filme, Abismo Prateado, em cartaz a partir da sexta-feira 26. Os versos que lhe inspiraram so aqueles que abrem a cano Olhos nos Olhos, de Chico Buarque: Quando voc me deixou, meu bem/ Me disse pra ser feliz e passar bem/ Quis morrer de cime, quase enlouqueci/ Mas depois, como era de costume, obedeci. A partir da, Anouz narra a trajetria de Violeta (Alessandra Negrini), uma mulher que reencontra o ex-amor  
no esquecido e muito menos perdoado. Tomada pela paixo mal resolvida, ela sai a esmo pelas ruas do Rio de Janeiro aps receber uma mensagem do antigo marido dizendo que tinha viajado e no voltaria mais.
 
+5 Filmes baseados em canes

Faroeste Caboclo
 Joo de Santo Cristo, personagem criado por Renato Russo, ser vivido no cinema por Fabrcio Boliveira (foto)
 
Veja Essa Cano
 O filme de Cac Diegues baseia-se em msicas de Chico Buarque, Jorge Benjor, Caetano Veloso e Gilberto Gil
 
Mamma Mia!
 A cano do grupo Abba serviu de mote para esse musical, feito para o teatro
 
Across the Universe
 Passado numa comunidade hippie nos EUA, o filme ilustra a famosa cano dos Beatles
 
 Beira do Caminho
 A amizade entre um caminhoneiro solitrio e um garoto em busca do pai tem origem no sucesso de Roberto e Erasmo Carlos


10. ARTES VISUAIS - PINTURA REENCENADA
Exposio no Pao das Artes d uma aula de histria da arte a partir do encontro entre a pintura, o cinema e as mdias digitais
por Paula Alzugaray

STILL EM MOVIMENTO: LIO DE PINTURA/ Pao das Artes, SP/ at 12/5
 
H oito anos, o Pao das Artes recebeu uma mostra que repensava o lugar da pintura na arte contempornea. Com curadoria de Anglica de Moraes, a exposio Pintura Reencarnada marcou um momento, ao afirmar que o pensamento pictrico continuava presente em outros suportes, como o vdeo, a fotografia e a instalao. Agora, com curadoria de Berta Sichel, Still em Movimento: Lio de Pintura volta a afirmar a pintura como uma tcnica em movimento, que migra do suporte tradicional do quadro de tecido para a projeo de vdeo.

PERFORMANCE - Tela de Velzquez  ficcionalizada em fotografia de Elena del Rivero
 
A exposio tem como mote a simultaneidade e o cruzamento entre arte e tecnologia. Na obra de dez artistas de vrias geraes e nacionalidades, as tcnicas de animao, composio digital e fico so utilizadas para dar nova vida a obras clssicas da histria da arte  do renascimento  arte moderna.
 
Com uma abrangncia de quatro sculos, a curadoria de Berta Sichel realiza uma aula de histria da pintura atravs da produo audiovisual contempornea. A mais antiga obra revisitada  Les Sept Pches Capitaux, pintada em 1558 pelo artista flamengo Pieter Brueghel e traduzida em um delicado desenho animado pelo artista belga Antoine Roegiers. Depois, saltamos para  Las Hilanderas (1657), de Velzquez, que ganha reencenao fotogrfica da espanhola Elena del Rivero. Velzquez tambm est na programao digital Topologies (2010), de David Quayola, que utiliza tecnologia de ponta para transformar o clssico Las Meninas (1656) em uma programao de fractais.

FRACTAL - Clssico Las Meninas ganha programao digital de David Quayola
 
O impressionismo est representado no trabalho da artista sua Anne Saucer-Hall, que produziu uma livre interpretao da pintura O Balco (1869), de Manet, introduzindo ao  cena originalmente esttica. Nesse exerccio de imaginao, a artista realiza uma das mais belas obras em exposio. Outra obra referencial  O Grande Vidro, de Marcel Duchamp, transformada em animao digital pelo basco Txuspo Poyo.
 
Escapa ao modelo de reencenao histrica a videoinstalao Spit Paintings (2010), do austraco Peter Weibel. Mas a lio continua: sua pintura feita de cuspe no  a releitura de uma tela especfica, mas da atitude escatolgica da arte conceitual e performtica do expressionismo abstrato. 


